terça-feira, 15 de abril de 2014


FRAGMENTOS DE MEUS POEMAS... POESIA DE BANDEJA
“Você sempre me disse do afeto que nos une
Agora, a gente vai se abraçar por palavras
E você sempre vai saber que é real
Porque sentimentos não morrem como plantas
Que secam sem o bálsamo da água
Sentimentos possuem lágrimas
Para serem regados no coração!”
Liz Rabello
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“Há algo de mágico em ti
É inusitado este sentir
Novo modo de ver
Corpos entrelaçados
Cavalgando estrelas
Roubando fios de água
Suor do universo
Em corpos nus!”
Liz Rabello
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“Vou libertar meu coração
Ao sabor deste vento
Raptar a corrente de energia
Que vem da montanha
Captar o cheiro de ciprestes
Perfume exalando prazer
Quem sabe se leva até ti
Meus desejos por você!”
Liz Rabello
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“Sons, sons... Pra que te quero?
Se silêncios são bem vindos
Mas cantigas são ternuras
Cristais a se roçar no infinito
Transmuta minha solidão
Em doces anéis a se cruzar
Nas pautas musicais!”
Liz Rabello
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“No picadeiro o palhacinho
cria uma teia encantada
Pernas de pau, nariz redondo,
carinha pintada, Malabares desencontrados
Quando fogo e bolas desabam pelo chão
E gargalhadas mil fluem da multidão!”
Liz Rabello
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“Fissura imperceptível
Entre loucura e retidão
Hipocrisia e solidão
E tanto mais bruxas me varrem
Sofrimento, mais roupas me vestem
De tormentos, mais chuvas de dor
Me apunhalam em turbilhão!”
Liz Rabello
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“Que venham recentes alegres memórias 
Mandando embora ares poluídos d'outrora 
Tempestades riscadas por outros encontros 
Relíquias esquecidas de folhas viradas”
Liz Rabello



PERCEPÇÃO

O coração dá saltos
Chibatadas de alegria
Quando me percebo
No teu pensamento!

Confetes e fantasias
Brigadeiros de desejos
Rouxinóis de alegorias
Flores em sentimentos!

Quando a percepção termina
Ainda fica a alegria
A sensação de euforia
Que só tua presença cria!

(Liz Rabello)

segunda-feira, 14 de abril de 2014





SEM PARAR VIA FÁCIL... DIFÍCIL DEMAIS!

Vou toda semana para a chácara e preciso parar, perder meu precioso tempo, nos pedágios. Uma tarde me alertaram sobre uma promoção: “Saia daqui com seu Sem Parar Via Fácil, em segundos!” Cedi.

Ai, se arrependimento matasse! Segundos viraram minutos, que acabou por mais de uma hora. Mas, a princípio, feliz. Paguei com cheque nominal e meu carro já saiu do Rodo Anel com objeto estranho acima do visor. Funcionando!

Primeiras semanas foi inevitável a alegria de passar, rapidamente, sem parar e sem pagar. Que delícia! Foi então que tudo aconteceu. Numa bela manhã, qual não foi minha surpresa, quando a sirene tocou e a trava de segurança não levantou a cancela e presa fiquei às explicações. Não, nada havia de débitos a pagar, aliás, pela promoção, o prazo ainda se estenderia por mais algum tempo. Como não estivesse em mãos com a documentação, prova fatal de minhas palavras, tinha que pagar. Estremeci, nem havia pensado nisto. E agora? Nenhum centavo na bolsa, nem no porta luvas, nem em canto algum. Meu neto, solícito, pagou o pedágio, retirando trocados de sua mesada.

Ao sair da situação embaraçosa, que me roubara minutos preciosos de tempo, primeira providência foi ligar para o setor competente e solicitar informações. Realmente não havia débitos a pagar. Algum problema com a leitura eletrônica dos dados do automóvel. Semana seguinte, lá vou eu, meio que na incerteza, apavorada com meu atraso do dia. Decidi não me arriscar e paguei normalmente o pedágio. Da terceira vez arrisquei. Arrisquei e passei. Feliz, pois pelo jeito estava tudo bem.

Foi então que tudo se repetiu. Estávamos cantando e brincando no carro, quando meu neto me alertou: “Vovó, você tem dinheiro para o pedágio?” Respondi que sim, sem mais comentários. Próximo ao bloqueio, ele me indicava o lugar correto, enquanto eu me arriscava no sentido do Passe Fácil. A sirene tocou, a cancela fechou e o guarda chegou! Enquanto me solicitava documentação, meu neto brigava: “Seu Guarda, eu bem que avisei, mas vovó quis passar sem pagar!” Olhei para meu neto, com olhos de quem quer fazê-lo se calar, sem falar! Expliquei ao oficial tudo que vinha acontecendo e ele me disse que nada podia fazer a não ser cobrar os reais que eu devia por aquela passagem eventual. Deu-me um telefone, que eu já possuía e que meu neto confirmava ser o mesmo que já nos deram em outro dia. Paguei. Passei. Parei adiante, berrei uma frase contida de bronca no menino, joguei o aparelhinho do “Passe Difícil” pela janela do carro, acostamento afora e fui embora, irritada como nunca.

Um mês depois chegou a conta: Um monte de “Pare Difícil”, que eu jamais fizera e que tive que pagar, além do aparelhinho, que só na saudade descobri não ser meu, mas apenas um empréstimo do sistema viário de São Paulo. Perdi muito tempo ao telefone para resolver o impasse. Paguei com lágrimas de ódio. Pior, não consegui desgrudar do vidro do carro a parte colada e imóvel do mecanismo do “Sem Parar Via Fácil”. Nunca mais quis ludibriar meu tempo e fiquei com trauma deste mundo eletrônico de fazer gente do bem se tornar mau elemento aos olhos infantis.
Liz Rabello


MAGIA DO INSTANTE PRESENTE!

Os seres humanos vivem em busca de respostas,
que possam coroar de entendimento
o inatingível desconhecido.
Só sei que só conheço o AQUI
Este instante divino de minha respiração,
o pulsar constante e maravilhosamente
equilibrado do meu coração!
Mas sei, também, que tenho pouco TEMPO.
É míster que eu aprenda a cuidar de fazer valer esse TEMPO.
Ainda ontem lia Antonio Cândido
e ele desmascarava a frase mãe do Capitalismo:
"Tempo é dinheiro!" Não é não!
Tempo é o tecido da vida! 
Um tecido que se enruga,
que se desfaz e vira pó como
as asas de uma borboleta,
quando não são tocadas pelo Amor!

(Liz Rabello)


(Pintura em tela - Acrilex - CONCEPÇÃO - (Liz Rabello)

MENTIRAS

Ninguém gosta de mentiras
Todos amam palavras verdadeiras!
Promessas que se fazem com vontade de cumprir
Eu quero ficar nua pra você
Para me sentir penetrada por seus olhos!
Quero ver você me ver, não na foto
que só é para segurar o tempo,
para ver/rever depois que o amor se foi
Quero viver com você delírios de amor!
Juntos, enlaçados, desprotegidos,
desgovernados, entregues, apaixonados!

(Liz Rabello)

AMOR VIRTUAL

Um pequeno lance
Uma fração de segundo
Meus dedos tocam a tela
Eu me abraço a imaginar
que seus braços me envolvem
Sua respiração ofegante!
Meu suor denunciante
Sinto tua presença mais que inquietante
Toco seu rosto sem querer
Que frio é este que me invade a alma?
Que calor é este que a telinha embaça?
Paradoxo da eternidade:
Quanto mais distante, mais perto de ti estou!

Liz Rabello

domingo, 13 de abril de 2014



Pintura com bom-bril e colagem de uma foto do meu olho
 Liz Rabello

SEUS OLHOS!

Teus lábios não se abriam
Senão para me beijar!
Nunca foste de sorrir!
Eras sério demais...
Mas eu lia teus olhos
E tinhas a capacidade
Mágica de sorrir por eles!

Não por acaso,
Aquele brilho
que eu em ti amava
E te sabia meu!
E te sabia alegre!
Nos olhos que só
pra mim Sorria!

Caso a tristeza
Tomasse conta
Deste brilho
Eu o sabia ler,
Como soube na tarde
Em que fostes embora
Da minha história!

Na minha memória
Nem seus lábios se movem
Num beijo tardio
Nem seus olhos piscam
Num sorriso infantil!
Apenas adormeces no sono

Eterno!

Liz Rabello

sábado, 12 de abril de 2014




TÃO LONGE TÃO PERTO

Como o reflexo da água 
Vejo-te na transparência 
Das miragens eternas! 
Vejo-te na imensidão do mar 
No buraco negro do infinito 
No meio das nuvens a se dissipar
Vejo-te no clarão do luar 
No sol brilhando, orvalho secando 
No vento a dispersar manhãs geladas! 
Vejo-te assim tão distante, além mar! 
Longe demais o coração a clamar! 
Sentimentos quentes, sussurros a escutar! 
Vejo-te e sei que não são apenas miragens 
Angústias de quem ama em solidão 
Tão longe e tão perto do coração a saltar!

(Liz Rabello, in MIL PEDAÇOS, 2012, Beco dos Poetas, SP)

sexta-feira, 11 de abril de 2014


DOCE VENENO

Tu és meu doce veneno
Taça de cristal estilhaçada!
Eu te bebo, não fico saciada!
Sede que não se aplaca,
delícia pura, desejo insano,
vontade delituosa!

Os anjos me abandonam...
Nas mãos de loucos diabinhos
meu inferno em fogo queima!
Cometo todos os pecados
pra sentir prazer contigo!

Liz Rabello

quinta-feira, 10 de abril de 2014



PINGOS DE ESTRELAS

Da palma de minha mão
Caem pingos de estrelas
Ondas deslizam na água
O vento as mastiga 
Sinto-me triturada por ele
Fustiga meus sonhos
Rouba-me o brilho
Perco o prata da lua
Nuvens são pingos agora
Tempestade lá fora
Tristeza nas mãos!
Solidão outra vez!

(Liz Rabello, In MIL PEDAÇOS, Beco dos Poetas, 2012)


TEU AMOR É PERFUME NO AR

Sinto teu amor como um perfume no ar!
Inalo, seguro dentro dos meus pulmões,
reabasteço meu ser,
faço circular em minhas veias...
Até o centro do meu coração!
Quando devolvo ao vento... Peço...
Leve ao meu amor o que senti...
Porque foi muito bom!

Liz Rabello / 2012
Pintura de Leonid Afremov

VOLTAR PARA O NADA

Quis tanto ser amada e desejada
Pelo homem que eu amei
Que me expus demais
E me perdi nos meus limites
Fiz fotos sensuais, as publiquei!
E deletei! Não assumi...
No meu íntimo mais íntimo
Sou sensível, profunda, intensa,
Mas discreta e tímida!
Ousei pra superar barreiras
Romper fronteiras!
Ir adiante numa relação
Mais que fracassada!
Desejar ser amada
Quando na verdade
Nem posso ser tocada...
Voltar no tempo...
Ser eu mesma...
Sem pintura,
Sem retoques...
Sem mais nada...
Voltar para o Nada
Onde é o meu lugar!
Só!

Liz Rabello / 2012

quarta-feira, 9 de abril de 2014





Um por-do-sol.
Um barco a navegar a esmo na imensidão do mar!
Um único ser humano impotente diante de tanta beleza
Me faz pensar que não adianta a gente querer tanto
 os outros a nossa volta, 
porque sempre haverá este instante
 de encontro do nosso eu com o infinito!

Hoje fiquei presa no elevador. As luzes se apagaram. Escuridão total! Não senti medo algum e fiquei feliz por isto. Acredito que a maior vitória de um ser humano é conseguir ficar só, alienado dos outros, em total confronto com sua essência e gostar do que vê! Viver a vida intensamente, de tal forma que possas olhar o outro dentro do olho é fácil. Difícil é olhar para dentro de si mesmo, porque somente nós sabemos como é nosso mundo interior!

(Liz Rabello / 2014)


ENGOLINDO PALAVRAS

Vou cuspir em versos palavras que engoli
Desejos reprimidos que escondi
Frases feitas que roubei
Cenas da vida que inventei
Porque não as vivi!

Vou empanar em versos
Sonhos que fiz reais
Mistérios que desvendei
Em noites mal dormidas
Com corações que troquei!

Vou engolir em versos
O que não posso ter
O que quero e não vou esquecer
O que reclamo e não vou tecer
O que busco e jamais encontrei!

(Liz Rabello / 2012)

domingo, 6 de abril de 2014



PERCEPÇÃO

Há um lugar pra mim?
Onde eu possa ficar?
Estar segura?
Ser acolhida?
Permanecer com calma?
Viver em paz?
Sentir a vida me levar?

Aqui minha sensação
É de que não estou
Não tem lugar pra mim
Não há espaço
Esbarro nas partes
Transbordo nas beiras
Me ausento do meio!

Qual a percepção do por quê?

(Liz Rabello / 2012)