TANCA
O Tanca é uma das formas mais antigas de expressão na poesia japonesa, que a princípio, se chamava waka, com registros escritos pelo menos desde o ano 785 DC. Tem um parentesco estreito com o haicai, mas a despeito deste que é “objetivo”, colhendo de fora do homem, do mundo natural, seus motivos poéticos, o tanca se aproxima da nossa poesia lírica, “subjetiva”, intimamente ligada ao seu autor, tratando de emoções, beleza e sentimentos. Quanto à forma, o tanca é escrito em cinco linhas, divididas em duas estrofes, uma com três versos e a seguinte em dois, em um padrão de 5-7-5 / 7-7 sílabas métricas. Quanto ao conteúdo: ele é subjetivo, como já foi dito e permite a utilização de figuras de linguagem – como a metáfora, por exemplo o que nem sempre convém no haicai. Quanto ao encadeamento – sim, porque o poema não é um bloco único, linear, mas composto por dois conjuntos distintos de poesia que se complementam –, este deve ser sutil, sem relação de causalidade entre o terceto e dístico; sem qualquer explicação recíproca. Deve-se ligar imagens ou enunciados que permitam ao leitor interpretá-los conforme sua sensibilidade e cognição. Em poucas palavras: não existe ligação direta entre o terceto e o dístico. Enfim, é uma forma de poesia com maior liberdade de expressão e que se aproxima muito da maneira de compor poesia no Ocidente.
TANCA - TEMA: AGOSTO
5 7 5 7 7
Agosto laranja
no Cipó de São João...
Palitos em pencas
Riscos de luz na paisagem
árida, chuva de lágrimas.
Liz Rabello





























































