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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
MAGIA DE CORES
Extasia-me o olhar
deixa-me inebriada
a candura da serra
as hortências azuis
mistura de ferro e trilhos
campos de flores
brincos de princesa
pássaros a beber seu mel
o passeio de Campos do Jordão
até Santo Antonio do Pinhal
é só luz... Magia de cores
a brincar com o verde dos penhascos
Liz Rabello
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
O “POBREMA
“ É SABER SE É BARATO OU BARATA
Todas as previsões bombásticas
estão se realizando. Em São Paulo, megametrópole urbana já é impossível viver:
trânsito insuportável, calor maior do que 37 graus a qualquer hora do dia. As
janelas não são mais fechadas à noite e sim de dia, para que o sol escaldante
não derreta travesseiros de penas de gansos. Chuvas torrenciais de fim de tarde
chegam com ventos e pedrinhas de gelo, que se derretem no asfalto secando em
minutos e formando uma nova serração na metrópole: a evaporação instantânea.
Sombrinhas são usadas dentro do
ônibus para nos livrar do sol que queima demais. E o pior é que mesmo as
baratas, estes bichinhos que têm vida até após a bomba nuclear, não estão
suportando. Saem dos esconderijos a procura de ar fresco e desandam pelos pés
dos usuários de ônibus aturdidos e enlouquecidos duplamente por duas
catástrofes ou três: sede, calor e repulsa!
Mas o bom humor dos paulistas não se deixa levar pela armadilha do
tempo, e um homem simples grita do fundo do ônibus inundado de baratas: “O
pobrema é saber se é barato ou barata”...
Liz Rabello
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
domingo, 4 de janeiro de 2015
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
DOIS É UM
Dois caminhos a escolher
Ambos perfeitos
Endereço certo: Deus!
Princípio e fim de todas as coisas
Deus é a vida em ebulição
É só olhar a volta
Sentir e ver a presença dele
Em todo canto
Vida eterna
Ciência e fé a proclamam
Continuidade infinita
Nada é efêmero em sua essência
Só eu e você
Que passamos!
Liz Rabello
DURMO EM CENA
Nas páginas de um livro
Adormeço palavras canduras
Travesseiro de penas de gansos
Esvoaçantes sonhos de algodão
Transpiro luz de estrelas
Jardins encantados
Para novo amanhecer ao fechar o livro
Nas páginas de um livro
Acordo sonhos gemidos
Colchas de retalhos
Mosaicos coloridos
Transmuto trovões e relâmpagos
Em clarões de estrela d’alva
Para novos incêndios de paixões ao fechar o livro
Nas páginas de um livro
Moram fantasias e delírios
Experiências de outros sentidos
Janelas abertas de outras almas
Transplanto energias de outras eras
Outonos em florescer de primaveras
Para semear novas colheitas ao fechar o livro
Adormeço palavras canduras
Travesseiro de penas de gansos
Esvoaçantes sonhos de algodão
Transpiro luz de estrelas
Jardins encantados
Para novo amanhecer ao fechar o livro
Nas páginas de um livro
Acordo sonhos gemidos
Colchas de retalhos
Mosaicos coloridos
Transmuto trovões e relâmpagos
Em clarões de estrela d’alva
Para novos incêndios de paixões ao fechar o livro
Nas páginas de um livro
Moram fantasias e delírios
Experiências de outros sentidos
Janelas abertas de outras almas
Transplanto energias de outras eras
Outonos em florescer de primaveras
Para semear novas colheitas ao fechar o livro
Liz Rabello
GRITOS
Vibra dentro de nós gritos de louvor
Vêm de lá do fundo de nossas emoções
Trazem a luta de sobrevivência de nações
Tateiam a paz que buscam em tormentos de dores
Guerreiros do amanhecer e da partida
Das terras poluídas e perdidas
dos muitos que se foram sem ter a justiça garantida.
É na música ancestral, gritos de pautas marcadas
pela chuva, pela paz, pela cantiga
pelo desejo de manter a própria cor!
Liz Rabello
Vêm de lá do fundo de nossas emoções
Trazem a luta de sobrevivência de nações
Tateiam a paz que buscam em tormentos de dores
Guerreiros do amanhecer e da partida
Das terras poluídas e perdidas
dos muitos que se foram sem ter a justiça garantida.
É na música ancestral, gritos de pautas marcadas
pela chuva, pela paz, pela cantiga
pelo desejo de manter a própria cor!
Liz Rabello
CARTA DO CHEFE
INDÍGENA SEATLE
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minhas palavras são como as estrelas que nunca empalidecem.
Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.
O homem branco esquece a sua terra natal, quando - depois de morto - vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem - todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta terra é para nós sagrada.
Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora, deixa para trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a terra - e seu irmão - o céu - como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.
Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.
Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das assa de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende; o barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo a pinheiro.
O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem.
O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragrância das flores campestres.
Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós - os índios) matamos apenas para o sustento de nossa vida.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.
Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.
De uma coisa sabemos. A terra não pertence ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.
Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará, para chorar sobre os túmulos de um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo. Vamos ver, de uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez, um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por ele, e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Os brancos também vão acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios desejos.
Porém, ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como será, quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver.
Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos, e por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos prometestes. Lá, talvez, possamos viver o nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias, porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe.
Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Preteje-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse: E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
AQUI É
BARATO!
Muitos são os meios que as
pessoas usam para vender seus produtos ou fazerem propagandas de serviços
prestados. Mas este foi inusitado. Diariamente saía da escola que trabalhava,
atravessava a rua e me deparava com um papagaio. Simpático. Agradável e muito
conversador. Parava, tocava em seus pezinhos e fazia carinhos nas pontas das
unhas afiadas. Perguntava o nome e dizia o meu, que jamais aprendeu. Seguiam-me os alunos da primeira série. Era
uma festa na porta do mini bar, restaurante, pastelaria que ali se escondia...
Certa vez ele gritou ofegante nos
surpreendendo: “AQUI É BARATO!”... Rimos muito e passamos a retrucar... “BARATO
NADA... AÍ É CARO!
O esperto então nos surpreendeu
com uma fúria sem igual: “BARATO, BARATO, BARATO!” Dando fim ao papo.
Liz Rabello
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
SABEDORIA DO OUTONO
Meu Eu... Casulo amordaçado
Fios de sonhos perdidos
Atados a noites escuras
Gélidos invernos de dor
Lápides frias de cemitérios!
Meu eu... Casulo cinzento
Semente de amor escondida
À procura de terra fértil
Água límpida de nascentes
Manhãs de sol primaveril!
Meu eu... Fruto maduro
Macieira perfumada
Outono esquecido no tempo
Preso às malhas do destino
Sem razão para existir!
Esquece teus finais
Hora de recomeçar
Borboletas frágeis,
Em margaridas a dançar
Sangra arestas, cria pontes!
Voa, voa, voa!
Livre... Solto
Liberdade conquistar!
Liz Rabello (In INTERVALOS, 2013, Beco dos Poetas)
sábado, 13 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
BOLINHO
FRITO EM ÓLEO FRIO
Era um tempo sem computador.
Máquina de escrever manual, nem eletrônica era, porque dinheiro não tinha não.
Todo o salário ia para a PUC, a fim de pagar os créditos do Pós Graduação
Mestrado em Comunicação e Semiótica. Fim de semestre e estava escrevendo a
monografia de final de Curso. Se errasse era obrigada a começar tudo de novo.
Estava aflita porque o prazo de entrega se aproximava. Coloquei o mais novo
para dormir em minha cama (tinha uns dois anos, pouco mais). Já era viúva e meu
filho mais velho dormia no sofá. Um lindo verde musgo de tecido aveludado com
almofadas combinando. Lá pelas duas da manhã, ouvi um barulho estranho na sala.
Larguei tudo e fui ver o que era. Por Deus! Que situação!
Meu filho mais velho era pura
farinha no rosto todo, cabelos olhos, orelhas, ouvidos e tudo quanto era buraco
melado de farinha grudada em óleo. Um saco vazio e uma lata inteirinha salpicada
no sofá e nas lindas almofadas. Quem foi o autor da traquinagem? Meu filho mais
novo, que me vendo ocupada fez do irmão bolinho frito em óleo frio. Levei o mais velho ao chuveiro aos tapas para
acordá-lo, porque temia por sua respiração. Além das roupas, sofá, almofadas e
tapete, tudo se perdeu naquela noite fúnebre. Só salvei o menino que acordou
aflito sem saber por que estava apanhando!
Até hoje agradeço a Deus pelo
pequeno porte do autor da arte, que não alcançava o fogão, do contrário o irmão
iria virar bolinho frito em óleo quente.
Já dizia o poetinha Vinícius de
Moraes, em seu poema Enjoadinho:
Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
(...)
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
Liz Rabello
domingo, 30 de novembro de 2014
FLIP 8 EM PARATY
"O TESOURO DA CASA VELHA"
CORA CORALINA
Quando em 2010 fui à FLIP 8 - FEIRA
INTERNACIONAL DE LITERATURA EM PARATY, fiquei muito espantada de poder comprar
algo inédito, de Cora Coralina... Este livro constitui mais uma fatia da poesia
feita de memória... Publicado após sua morte, demonstra mais uma vez que esta
linda senhora tinha a sabedoria à flor da pele, fazia poesia ao reproduzir a
linguagem bruta do interior goiano, encontrando o melhor de sua expressão
literária no cotidiano. Só teve seu primeiro livro publicado em 1965, aos
setenta e seis anos de idade. Morreu em 1985, aos 95 anos, não sem antes
escrever este livro, publicado recentemente. São vários contos, sendo que o que
mais gostei foi CANDOCA, que acha um tesouro e não quis compartilhá-lo com
ninguém, apesar do receio de uma maldição, que se realiza... Então, após sua
morte, volta para contar sobre o achado a uma professora, com quem tinha uma
relação de CONFIANÇA. Outro conto belíssimo é a história do seu primo Zezinho,
a quem um velho tio ensinava a ler e a contar, à força de bolos de palmatória,
uma história dura e triste, donde se desprende uma insinuada revolta contra a
humilhação de uma criança que gostava de observar os pássaros e os bichos da
Fazenda Paraíso... Não por acaso, minha trajetória de vida demonstra que o
texto possui uma verossimilhança com a realidade... Sou professora e sei, por
experiência, que devemos ficar atentos ao que realmente ensinamos quando temos
intenção de ensinar algo, porque nosso corpo, nossos gestos falam muito mais do
que as palavras... Recomendo... Boa leitura!
Liz Rabello
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas,
20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás.
Se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de
caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras
melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno. Só em 1965, aos 75
anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, Poemas dos
Becos de Goiás e Estórias Mais. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas viveu por
muito tempo de sua produção de doces, até ficar conhecida como Cora Coralina, a
primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de
Cobre – Meias Confissões de Aninha.
Nascida em Goiás, Cora tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos depois
que o marido, o advogado paulista Cantídio Brêtas, morreu, em 1934. “Mamãe foi
uma mulher à frente do seu tempo”, diz a filha caçula, Vicência Brêtas Tahan,
autora do livro biográfico Cora Coragem Cora Poesia. “Dona de uma mente aberta,
sempre nos passou a lição de coragem e otimismo.” Aos 70 anos, decidiu aprender
datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Cora, que
começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira
série do primário. Nos últimos anos de vida, quando sua obra foi reconhecida,
participou de conferências, homenagens e programas de televisão, e não perdeu a
doçura da alma de escritora e confeiteira.
FONTE DE PESQUISA
http://pensador.uol.com.br/autor/cora_coralina/biografia/
MAIS DO QUE PASSEIO, ENCANTAMENTO COM PRIMAVERAS, CONHECIMENTO DE LUGARES HISTÓRICOS E CULTURAIS, ESTAR NA FLIP OITO, EM PARATY, REPRESENTOU UMA AQUISIÇÃO RARA... UM CONTATO MAIS ÍNTIMO COM CORA CORALINA, MINHA ETERNA MUSA ENRUGADINHA... SABEDORIA EM PESSOA!
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
COMUNHÃO
Era uma manhã fria de Natal
Acordei e fui correndo pra cama de casal
Quatro ou pouco mais aninhos tinha então
Meu pai pegou em minha mão
Levou-me até a árvore de natal
E me mostrou um carrinho
Dentro dele um bebê de fralda
Com uma chupetinha azul
Brincando de mamar!
Desabei a chorar pura emoção
E nem me lembro de pegar senão o coração
Dos olhos do meu pai
Que comigo engatilhou nesta oração
Fazendo do meu natal o mais doce abraço
Que jamais me ouviu cantar em gratidão!
Liz Rabello
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
TIC TIC BUM
No tic tic bum dos campos milharais
Negro arava o solo,
negra cuspia dor
Inventando no fogão artes culinárias!
Inventando no fogão artes culinárias!
No tic tic bum do jogo de capoeira
Negro defendia raízes,
negra dançava jongo, maracatu,
inventando passos pra enganar o capataz!
No tic tic bum lá no alto dos morros
Negro inventou o samba,
Negra rebolou o corpo
Inventando formas de aliviar a dor!
Inventando formas de aliviar a dor!
No tic tic bum das avenidas centrais
Negro berra melodias de carnavais
Negra veste fantasias
Colorindo o corpo de roupas sensuais!
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