terça-feira, 18 de agosto de 2026

 TANCA

“O Tanca é uma das formas mais antigas de expressão na poesia japonesa, que a princípio, se chamava waka, com registros escritos pelo menos desde o ano 785 d. C. Tem um parentesco estreito com o haicai, mas a despeito deste que é “objetivo”, colhendo de fora do homem, do mundo natural, seus motivos poéticos, o tanca se aproxima da nossa poesia lírica, “subjetiva”, intimamente ligada ao seu autor, tratando de emoções, beleza e sentimentos. Quanto à forma, o tanca é escrito em cinco linhas, divididas em duas estrofes, uma com três versos e a seguinte em dois, em um padrão de 5-7-5 / 7-7 sílabas métricas. Quanto ao conteúdo: ele é subjetivo, como já foi dito e permite a utilização de figuras de linguagem – como a metáfora, por exemplo o que nem sempre convém no haicai. Quanto ao encadeamento – sim, porque o poema não é um bloco único, linear, mas composto por dois conjuntos distintos de poesia que se complementam –, este deve ser sutil, sem relação de causalidade entre o terceto e dístico; sem qualquer explicação recíproca. Deve-se ligar imagens ou enunciados que permitam ao leitor interpretá-los conforme sua sensibilidade e cognição. Em poucas palavras: não existe ligação direta entre o terceto e o dístico. Enfim, é uma forma de poesia com maior liberdade de expressão e que se aproxima muito da maneira de compor poesia no Ocidente. Segue um excelente exemplo dessa modalidade:

Você ainda não tocou
esta carne macia,
este sangue latejante

Pobre homem que vive
de doutrinar caminhos
..... Sra. Akiko Yosano ((1878-1942)