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quinta-feira, 11 de setembro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
SETE MESES
Nossa Júlia respira
Poesia
Vida
Alegria
Afagos
Sonhos
Amor
Eternidade!
São 28 semanas de pulsar
7 estrelas a bailar!
Ansiedade por ver sua carinha...
Liz Rabello
BROTEI ESTRELAS NAS MÃOS
Me joguei de corpo e alma
Quebrei correntes,
desbravei sertões
Daqui...
O calor não me assustava.
as minhas garras,
me aqueceram as entranhas
Desfez teias de aranhas, sobrevivi.
Bebi fel quando meu corpo
Reclamava mel.
Colecionei vagalumes
E deles roubei a luz,
e tive uma constelação toda minha.
E, brotei estrelas nas mãos
Estrelas só minhas...
Buquê de Luas!
Maria Lúcia Lopez
AMO MEU PAÍS!
O MESMO SOL QUE TE ILUMINA, OH CRISTO REDENTOR, É AQUELE QUE INJUSTAMENTE NÃO SE ABRE E NÃO SE MOSTRA PARA TODOS!
RETÓRICA COM SABOR DE FRUTA NOVA
Turistas e amantes de tua beleza
enchem teus bares de muitas riquezas
Trocas culturais e grandezas
Sambas, jazz, rock, qualquer som de pura magia
E lá embaixo, na zona sul, rica do Rio
já começa o colorido cinzento
do abismo entre a pobreza e a riqueza,
herdadas do tempo colonial,
dos negros fugidos aos morros,
para sobreviverem do chicote
ou da penumbra de uma liberdade em exílio,
já que a Lei assinada pela Princesa Isabel
não passou de um engodo
favorecia somente aos imigrantes brancos
que aqui chegaram para branquear a nação negra
Amo também esta nossa história,
tão recente quanto injusta.
E cabe a mim em prosa ou em versos
Desta sina que propago
Ler às avessas
criar um novo testamento de lucidez
uma retórica com sabor de fruta nova
pois que bem sei é lá no morro
que mora a sapiência
de se viver com o pouco que se tem
com alegria e samba nos pés
Com muito amor e paz no coração!
Ah... você me diz
É lá que estão os Comandos de Tráficos
As lutas entre a Polícia e os chefões
Mas é lá também que mora a solidariedade
Os negrinhos descamisados e sem livros
Onde a bola rola sob os pés!
Somente um banho de cultura
regado à Educação e à dignidade
É que pode aflorar a negação
por ser laranja das drogas
regado à Educação e à dignidade
É que pode aflorar a negação
por ser laranja das drogas
E emergir a liderança de
todos os bons cidadãos que por lá estão!
Liz Rabello
terça-feira, 2 de setembro de 2014
SENTI... NÃO PODE FICAR ESQUECIDO DENTRO DE UM LIVRO UM POEMA TÃO LINDO ASSIM... ELE PRECISA SER LIDO!
"Ele chegou de mansinho, desfez os laços de fitas
Colheu margaridas, bordou-me poemas.
Estacionou numa hora mansa do tempo corrido
Desabotoando o vestido, pensei assim: "Não pode
haver despejo, em quem desse jeito bordou-me poemas".
Partiu, abraçando a sensação de haver colhido afetos
Em botão. Não pode haver desapego de quem beijando
Meu peito, inspirou-me poemas."
Colheu margaridas, bordou-me poemas.
Estacionou numa hora mansa do tempo corrido
Desabotoando o vestido, pensei assim: "Não pode
haver despejo, em quem desse jeito bordou-me poemas".
Partiu, abraçando a sensação de haver colhido afetos
Em botão. Não pode haver desapego de quem beijando
Meu peito, inspirou-me poemas."
Do livro Outros Cantos Outros Sois
Maria Lúcia Lopez
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
CORRENTE SANGUÍNEA
Nosso planeta é um mapa de
desolação. Aqui, a água como recurso natural indispensável está acabando. O Rio
Tietê, que corta nossa cidade por completo, é uma fonte de doenças, mal estar,
putrefação e ausência de vida. Logo ali, ar saturado. Milhares de carros
entopem a cidade, parados, de um lugar que não vai a lugar algum. Mais adiante,
queimadas matam o solo fértil, nutrientes necessários à vida perdidos para além
do tempo. Habitat natural de insetos, borboletas, abelhas completamente
destruídos. Acolá, lavouras de milho, soja, frutas, legumes morrendo à míngua,
por ausência de chuvas, que quando caem dos céus, em gotículas serenas já
chegam como chuva ácida.
Acidez é a rota para nosso
planeta, que cobra vida! O corpo humano é setenta por cento água. O planeta,
mais... Porém a potável, que só ela é fonte de vida, é pouquíssima! Seu pequeno
volume somado aos cumes de montanhas geladas, com o calor saturado e ampliado
das contingências do consumo capitalista, lixo sem controle, camada de ozônio
aumentando sua esfera, pobres placas de água doce se derretem e se transformam
em salgada de mares e oceanos, que não aplacam nossa sede de viver!
O pior é que os seres humanos, os mais inteligentes dos animais, que tanto poderiam fazer para transformar em flores a corrente de sangue que corre em volta de nós, apenas promovem a guerra. Duelos destruidores por palavras, por ações, por armas nucleares, por bombas... Lágrimas de sangue em meu coração, quando tudo o que desejo é um pouco de amor... Um laço de união... Um coração de flor!
Liz Rabello
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
LUA NO CHÃO
Quando a lua vem até você só para dizer boa noite é porque a vida mora
dentro de você! Estávamos na chácara e um clarão imenso nos absorveu por
inteiro, logo depois que a luz elétrica acabou e que a mudez do som e o vazio das imagens dos
computadores nos tiraram de nossos afazeres habituais. A princípio, atônitos
com a louca escuridão dos primeiros sinais do apagão, ficamos inertes. Depois nossas
mãos se procuraram em busca da segurança que um espera do outro em momentos de “não
sei o que fazer agora”. Rimos e nos abraçamos como se tivéssemos nos encontrado
somente naquele instante. A noite estava escura e era tempo de verão! Lá fora
parecia que tudo estava imóvel como a vida que parara em busca de uma nova
melodia. De mãos dadas e muito abraçados fomos para a varanda. A rede ainda
estava lá, como leito de amor a espera da sede aplacar. De lá conseguíamos
ouvir o sibilar do vento nas águas da piscina, nas folhas dos arbustos, no
diálogo com as nuvens, que teimavam em esconder as estrelas. Nossos carinhos
trocados se enlaçavam, em sussurros e afagos se tocavam, nossos corpos
arrepiados de prazer se procuravam. Nossas vestes se soltaram. E nenhuma
estrela brilhou mais do que devia! Quando a febre do desejo saturou nossos
sentidos e nossos corpos se acalmaram, percebemos que a lua se encaixava em nossas mãos, num
único clarão que as nuvens nos legaram e enfim, deliciados, desejamos
ardentemente que o apagão fosse eterno e nunca mais se iluminasse!
Liz Rabello (In LUA NO CHÃO, 2015)
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
UM
ASSALTO INUSITADO
Dizem
que senhorinhas são mais sinalizadas para assaltos do que jovens mulheres ou
homens. Por isto já estou na casa de mais de dez! À mão armada ou não, certeza é que bandidos
gostam de me explorar. E isto não acontece somente agora, pois logo que me
casei, quando lavei pela primeira vez minhas roupas do enxoval, novinhas em
folha e as pendurei no varal, saí para as compras. Ao voltar cadê as roupas?
Nunca mais as vi! Minto, vi, sim, dentro do ônibus, dias depois uma garota
vestindo meu terninho. Era impossível coincidências, pois eu havia escolhido o
tecido de gorgurão vermelho, os botões e mandado para uma costureira
confeccioná-lo. Designer escolhido e criado por mim. Não havia cópias da China,
baratinhas como hoje em dia. Nada fiz, embora a vida inteira tivesse ímpetos de
rasgar as vestes daquela menina.
No
último assalto jurei: “Não vou mais permitir que me façam de boba!” Assim quando
meu filho perguntou-me se sabia onde estava o relógio dele e cogitou de que
havia sido roubado, fiquei com a última versão na cabeça. Não costumo ir ao
centro de carro. Difícil estacionar. Fui de ônibus. E qual não foi minha
surpresa quando observei um rapaz muito bem vestido, com um relógio igualzinho
ao do meu filho. Marca, cor, senti até o mesmo perfume. Uma raiva muito grande
e a lembrança do passado inacabado a perseguir-me. Em frente ao Metrô Marechal,
o rapaz desceu. Fui atrás. Minha arma: meu guarda-chuva! Dei-lhe muitas
guarda-chuvadas em suas costas, chamando-o de ladrão e gritando que queria meu
relógio de volta. Em pânico, o rapaz obedeceu. Arrancou o relógio do pulso e em
minha mão livre o depositou, safando-se do guarda-chuva o mais rápido que
conseguiu fugir.
Muito
feliz cheguei em casa com meu prêmio pendurado na lapela. Meu terninho vermelho
finalmente estava vingado! Mas quando olhei em cima da cômoda ali estava
brilhando, translúcido, angelical relíquia perdida: um relógio exatamente igual
ao que eu havia “roubado” horas antes!
Liz Rabello (In "LUA NO CHÃO", Editora Essencial, 2015)
domingo, 17 de agosto de 2014
LEONID AFREMOV
Liz Rabello
Graduou-se em
1978 na Escola
de arte de Vitebsk, fundada por Marc
Chagall em 1921. Afremov é um dos mais notáveis membros da escola, assim como Kazimir
Malevich e Wassily
Kandinsky. Viveu trinta e cinco anos na União Soviética, onde trabalhava pintando pôsteres de propaganda para o governo
comunista. Descontente por ter o governo lhe ditando o que e como pintar,
mudou-se para Israel em 1990.
Em Israel, conseguiu, em duas semanas, um emprego em uma agência de
publicidade, pintando outdoors.
Pouco antes de uma exposição, invadiram, roubaram e vandalizaram seu estúdio.
Sua obra foi mal recebida: as pinturas de homens e mulheres nus chocaram a sociedade, assim como a
representação de músicos de jazz negros foi mal vista por quem julgava que o
artista deveria representar israelenses. Ademais, Leonid sentiu-se discriminado
por não ser um israelense nato de modo que, em 2001, migrou para os Estados Unidos da América.
Nos Estados Unidos, viveu primeiramente em Nova Iorque, onde alcançou grande sucesso. Seus quadros são expostos lado a lado com artistas como Rembrandt. Suas obras são expostas em mais de sessenta galerias da Nova Zelândia, Austrália, África, Israel e EUA. Após viver dois anos em Nova Iorque, mudou-se para Boca Raton, Flórida, onde vive atualmente com sua família, pois julgava que o clima frio estava prejudicando seu trabalho, tornando-o mais sombrio e menos vívido.”
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonid_Afremov)
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
FOLCLORE
Meu netinho de mansinho
Veio dizer que é Agosto
Tempo de folclore a seu gosto
Imitando o Saci
Rosto pintado de carvão
Perninha suspensa em emoção
Atrás do sofá se escondeu
Assustou uma vovó
Que se fingia de improviso
Bateu a porta por querer
Até a maçaneta ceder
Depois veio como quem
Quer agradar pra valer!
“Vovó, quem decepou a perna do Saci?
Mula sem cabeça? Lobisomem?
Ou foi o bicho homem
Com as bombas dos judeus?
Ou foi o Iraque de araque
numa guerra por aqui?”
Como meus olhos marejaram
Me abraçou e comigo chorou
Que homem também pode,
Isto é o que me ensina o amor!
Liz Rabello
terça-feira, 12 de agosto de 2014
OH... MY CAPTAIN!
ROBIN, O HERÓI DO SORRISO
“Mais de 350 milhões
de pessoas têm depressão, diz OMS - Estudo realizado pela Organização Mundial
da Saúde mostra que aproximadamente 5% da população sofreu com a depressão no
último ano”
“Mapa
da depressão: Brasil é o país com mais casos no mundo”
Por
que a depressão passou a ser uma das doenças mais temíveis do planeta? O que
pode acarretar à saúde da pessoa que sofre disto? São inúmeras as faces da
depressão no mundo. Talvez quem esteja lendo agora estes mal escritos, seja um
grande depressivo e nem saiba...
Ontem
tivemos mais uma notícia triste que abalou o mundo. Um homem das artes cênicas
morreu deprimido, triste, sozinho... O ator da arte do sorriso, Robin Willians.
Sua carreira foi gloriosa por muitos anos, desde que começou no teatro. Iniciou
como um comediante de stand up engraçadíssimo. Imitador de fazer qualquer homem
de mau humor rolar no chão de rir. Robin e o palco eram a alegria, a vida, a
fusão de um sucesso estrondoso. Veio fama pela TV com personagens lendários,
até explodir no cinema. Daí a carreira alçou voos mais altos. Filmes de grandes
bilheterias, estúdios felizes com lucros, entrevistas, amigos, histórias,
prêmios e aquele homem bonachão, de sorriso simples e olhos ingênuos, poucos
sabiam, sofria muito. Conquistou diretores, produtores, atrizes, muito
dinheiro... E como um bom homem ajudou muito as instituições de caridade.
Muitas... Seu encontro com as drogas e o alcoolismo deram trabalho e perdas nos
relacionamentos pessoais. Até ser encontrado morto, Robin foi convidado para
muitas apresentações, até mesmo aos soldados americanos no Iraque e no
Afeganistão. Mas acho que esse capítulo se esgotou... O que pode levar a pessoa
a ser depressiva, por que um homem que alegrou a tantos pelo mundo morreu
triste e desconsolado? Nem sempre é possível existir clareza sobre quais
acontecimentos da vida levam uma pessoa a ficar deprimida. Culpar drogas,
momentos traumáticos são às vezes irrelevantes.
A
depressão é causa ainda hoje de muito preconceito, inclusive dos que estão
doentes. Motivo de chacota, pessoas de quase ou nenhuma informação não
acreditam que ela pode inclusive paralisar uma pessoa, ou motivar
agressividade.
Do
meu ponto de vista a depressão é fruto de uma sociedade competitiva, doentia,
consumista e egocêntrica. Normalmente para pessoas públicas é muito mais
complicado. Cada ato falho na vida é muito mais cobrado. Enquanto vivermos de
forma que existam vencedores e perdedores, onde a qualquer custo devemos
atingir o status de “bem sucedidos”, muitos depressivos virão.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
IMAGENS INSANAS
FOGO EM IBIÚNA PRECISA DO AUXÍLIO DO CORPO DE BOMBEIROS PARA NÃO CHEGAR EM PROPRIEDADES RURAIS E EM FIOS ELÉTRICOS, CUJOS POSTES AINDA SÃO DE MADEIRA.
UMA GRANDE EXTENSÃO DA PROPRIEDADE JÁ ESTAVA DEVASTADA PELO FOGO. O VERDE QUE ALI BROTAVA AGORA NÃO PASSA DE MATO QUEIMADO.
AGOSTO INSANO
Desde criança estas cenas invadem minh'alma de indignação. Meu pai, por origens de trabalho, adquiriu uma doença crônica e irreversível: Fibrose Pulmonar. Pó de madeira, em seus pulmões fechavam os brônquios e ele não conseguia respirar sem o auxílio de oxigênio. Tubos iam e voltavam dentro de minha casa. Aflição de criança!
Meus vizinhos cortavam o mato do quintal. Colocavam fogo e meu pai morria aos poucos. Gritava, estraçalhava minha indignação com choro fértil. Lá se vai meio século da partida do meu grande amor e eu, hoje, choro por todos os animais que morrem a cada queimada, pelo solo perdido, pelos nutrientes queimados, pelo planeta e sua camada de ozônio cada vez mais em abismo. Pela água que não brota mais do céu. Seca que nos faz ficar com a pele encarquilhada e com a respiração difícil! Meu coração queima a cada Agosto insano!
Liz Rabello
QUEIMADAS
Uma tarde em que a saudade apertou, fui ao quarto dela. Encontrei um trabalho de pintura e colagens de fotografias. Era seu hobby, eternizar a vida ou a mim. Álbuns meus repletos de imagens dentro de caixas, cuidadosamente guardadas. Sabia perfeitamente o que havia lá dentro: Fotos minhas desde antes de nascer. Registros de meu crescimento, primeiros passos, primeiras quedas, choros e muitos sorrisos. Eu sempre fui alegre e não tinha como não o ser! A família toda me envolvendo em carinhos e afetos, cuidados e exigências! Todas, bem o conhecia: limites para me fazer ver que a vida nos é dada por empréstimo, que é preciso cuidar!
Parei diante daquela pintura. As fotos coladas sobre a chapa de acrílico, datavam de Agosto. Troncos de árvores queimadas. Cinzas. Restos do que poderia ser belo. Imediatamente eu me lembrei do quanto vovó dizia que sofria ao ver em suas viagens, as queimadas, que criminosamente os homens cometiam. Visualizei sua alma naquela foto, desenho de um contorno. Não por acaso, a pintura se chamava DOR. Atrás do quadro, um pequeno bilhete. Abri rapidamente como se encontrasse um copo de água no deserto:
Feche olhos pras queimadas
A gosto de quem não vê
Os Agostos sem chover!
(In “INTERVALOS”, “CÓDIGO AGV”, Liz Rabello, Editora Beco dos Poetas, 2013)
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