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domingo, 20 de junho de 2021
sexta-feira, 28 de maio de 2021
NOSSAS PROPAROXÍTONAS GENIAIS
Uma dupla sertaneja, Alvarenga & Ranchinho, já tinha feito o mesmo, cerca de 20 anos antes de Chico Buarque. Lançado há 50 anos, no início de 1971, o LP Construção, de Chico Buarque, ainda hoje é considerado um dos grandes discos da história da música popular brasileira. Quinto LP de Chico, foi lançado após seu exílio voluntário na Itália, que perdurou por cerca de 14 meses. Quando de seu retorno, em 1970, Chico já havia lançado um compacto simples, contando com “Apesar de Você” no lado A e “Desalento” no lado B.
Felizmente, os
censores da época não consideraram de início essas duas canções obras
“subversivas” e as liberaram. Uma surpresa, inclusive para o próprio Chico. Cem
mil cópias vendidas e a “ficha” caiu: “você”, de “Apesar de você”, não era uma
mulher mandona, autoritária, como o compositor sempre respondia a quem o
indagava. Descoberto o “erro”, a canção foi censurada, proibida de ser
veiculada pelas rádios e TVs, sendo os discos ainda não vendidos recolhidos
pelas forças de segurança.
Se
considerarmos o compacto “Apesar de Você”/”Desalento” como um aperitivo, o LP
“Construção” revelou-se um banquete de iguarias finíssimas, daquelas que, como
diria Vinícius de Moraes, “a pessoa, se fosse honrada mesmo, só devia comer
metida em um banho morno, em trevas totais, sonhando, no máximo, com a mulher
amada”.
Em dez canções
que compreendem exatos 31 minutos e 12 segundos, Chico nos oferece uma obra
definitiva, que nos marca “a ferro e fogo, em carne viva”. Mesmo 50 anos
depois, não há como sair incólume após a audição desse disco. Para Mauro Ferreira,
crítico musical, o LP Construção destaca-se pela coesão do repertório, pelo
pulso político desse cancioneiro inteiramente autoral e pela adequação dos
arranjos às dez músicas. Dentre elas, comento aquela que dá nome ao disco.
Versos
alexandrinos
Maravilhosa,
incomparável. Esses são alguns dos adjetivos que qualificam “Construção” de
Chico. Versos alexandrinos, todos eles finalizados em palavras proparoxítonas.
Para muitos,
“só Chico poderia fazer isso”. Realmente, Francisco Buarque de Hollanda é genial.
Ponto. Mas, em relação às proparoxítonas ao final dos versos, uma dupla
sertaneja, Alvarenga & Ranchinho, já tinha feito o mesmo, cerca de 20 anos
antes da construção buarqueana.
Formada em
1929 por Murilo Alvarenga, mineiro de Itaúna, e por Diésis dos Anjos Gaia,
paulista de Jacareí, a dupla iniciou sua carreira apresentando-se em circos no
interior de São Paulo. Em 1934, Murilo e Diésis foram contratados pelo maestro
Breno Rossi e passaram a se apresentar na Rádio São Paulo.
A carreira
consolidou-se após a mudança para o Rio de Janeiro, onde gravaram o seu
primeiro disco, em 1936, e passaram a integrar o grupo de atrações do Cassino
da Urca. Faziam enorme sucesso com a criação de sátiras políticas, o que lhes
valeu, também, uma série de prisões.
Sumiços
e rearranjos
A formação
original se desfez em 1965, quando Diésis abandonou definitivamente a dupla.
Sumiços anteriores já haviam ocorrido, quando então havia sido substituído por
Delamare de Abreu, irmão, por parte de mãe, de Murilo Alvarenga.
Com o
rompimento definitivo, um “terceiro” Ranchinho surgiu, Homero de Souza Campos,
conhecido também como Ranchinho da Viola e como “Ranchinho II” (apesar de ter
sido o “terceiro”). Homero cantou com Alvarenga de 1965 até o falecimento
deste, em 1978.
Mas e as
proparoxítonas? Elas estão presentes em “Drama de Angélica”, canção composta em
1949 por Murilo Alvarenga e M. G. Barreto, tendo sido um dos maiores sucessos
da dupla.
Reparem na
letra: são 12 conjuntos de textos e cada um deles tem oito versos, sendo que,
em praticamente todos eles, as últimas palavras são proparoxítonas.
Há algumas
poucas exceções, tais como “perplexo” e “convexo”, mas ao longo da canção isso
nem se nota, pois elas também se encaixam no ritmo estabelecido pela letra.
Ouça a música, a partir de 8’50’’, no programa Ensaio, da TV Cultura.
Drama
de Angélica (1949) – Murilo Alvarenga e M.G. Barreto
Meu passado enigmático
sexta-feira, 21 de maio de 2021
Menino
chora ao chegar na Espanha pelo mar amarrado em garrafas plásticas
Nas últimas
semanas, imagens da crise migratória vivida na fronteira de Ceuta, no sul da
Espanha têm chocado o mundo. Nesta quarta-feira, 19/05/2021, as câmaras da agência
Reuters, registraram um jovem imigrante que recorreu a garrafas de plástico,
amarradas ao corpo, para conseguir flutuar da fronteira do Marrocos com o país
europeu. O vídeo é um retrato de desespero daqueles que se lançam ao mar na
esperança e luta pela sobrevivência. Quando chega em solo espanhol, o menino
tenta fugir de militares que estão na costa a sua espera. Ele tenta escalar um
muro, mas é apanhado por dois polícias que estavam no terreno.
Ceuta fica no continente africano — é um pequeno pedaço da Espanha cercado por território marroquino à beira do Mar Mediterrâneo. A fronteira entre Ceuta e Melilla no Marrocos, são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, e são constantemente palco de tentativas de entrada de migrantes africanos na Europa. Nas últimas semanas, por volta de dois terços dos cerca de 8 mil migrantes que chegaram à Ceuta, já foram expulsos, disse o Ministério do Interior em Madri. Segundo as autoridades espanholas, dentre esses migrantes estão crianças desacompanhadas de até 7 anos.
Em entrevista ao “El País”, Aschraf disse que seu sonho é ir para a Espanha “para poder ajudar minha família primeiro e estudar para realizar meu futuro”. Ele conversou com o “El País” na local onde mora sua família em Casablanca, aproximadamente 400 km de Ceuta. Esta foi a terceira vez que o adolescente tentou entrar no enclave espanhol. Sua segunda mãe adotiva, Miluda Gulami, falou sobre Aschraf . “Estou muito feliz com ele e espero que possa realizar seus sonhos. É um menino muito ambicioso, tem muitas qualidades, e eu não sou capaz de satisfazer seus sonhos”, afirmou Gulami. Com a grande repercussão do caso, uma ONG se comprometeu a pagar seus estudos e também lhe dar um lar.
sábado, 8 de maio de 2021
JAMAIS DEIXE DE LER AS ENTRELINHAS
segunda-feira, 3 de maio de 2021
METALINGUAGEM DA TROVA
A Metalinguagem, ou função
metalinguística, é um recurso literário. A Metalinguagem é a linguagem que
descreve sobre ela mesma. Ou seja, ela utiliza o próprio código para
explicá-lo. A metalinguagem nada mais é do que a preocupação do emissor
totalmente voltada ao próprio código que está sendo utilizado. Isso quer dizer
que o CÓDIGO é o tema da mensagem ou, então, ele é usado para explicar sobre
ele mesmo.
ANÁLISE DA POSTAGEM
A sexta não é trova porque
conteúdo não rima com absurdo. (Liz Rabello)
E eclética não rima com métrica.
O segundo verso tem apenas 6 sílabas. A consoante muda não pode ser contada
como sílaba sonora. Então o ab elide com o do anterior: "
che-ga-per-to-doab-sur-do " (Adilson Gonçalves).
Vale ressaltar na terceira trova
do Luís Otávio o uso de "como a trova"... (Liz Rabello)
Sim, isso é importante. A
história do veto ao como é recente. Eu não concordo, como já disse... (Adilson
Gonçalves)
As cinco trovas seguem dentro do TEMA: TROVA, mas não servem como exemplo de trovas metalinguísticas. O paradoxo da postagem é que o único poema que tem a função metalinguística é o sexto, uma quadra, que especula sobre a não trova, negando todos os preceitos da trova, na sua criação.
Pode-se definir “metalinguagem”
como a linguagem que comenta a própria linguagem, fenômeno presente na
literatura e nas artes em geral. O quadro “Van Gogh pintando girassóis”, de
Paul Gauguin, é um exemplo de metalinguagem, porque mostra o pintor no momento
da criação.
Um bom exemplo de metalinguagem
nas artes é a obra “Drawing hands” (“Desenhando mãos”), de Maurits Cornelis
Escher. A técnica usada é a litografia, processo de reprodução que consiste em
imprimir sobre papel, por meio de prensa. Dizem que o artista usou a sua
própria mão direita como modelo para ambas as mãos representadas na gravura.
Portanto, é um desenho mostrando o ato de desenhar.
O EXERCÍCIO DA CRÔNICA
"Escrever crônica é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de uma máquina, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um assunto qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente despertados pela concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado."
Predomina nesse texto a função da
metalinguagem, que se constitui nas dificuldades de se escrever uma crônica por
meio de uma crônica.
OUTRO EXEMPLO
"Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que o seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo uma outra não prevista."
LAJOLO, M. Do mundo da leitura
para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.
Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o processo de produção de sentidos, valendo-se da metalinguagem. Essa função da linguagem torna-se evidente pelo fato do texto discorrer sobre o ato de leitura.
PESQUISA
https://www.bing.com/search?q=O+QUE+%C3%89+METALINGUAGEM%3F&cvid=b6c14b1bc4f44eaf9a07b4a18fefc295&aqs=edge..69i57j0l2.7622j0j1&pglt=299&FORM=ANNTA1&PC=DCTS















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