quinta-feira, 27 de março de 2014



OLHO-ME NO ESPELHO

Rugas cobrem cantinhos dos olhos
pescoço castigado pelo sol
lábios emoldurados de entradas
marcas da vida... Lindos sorrisos!

Caso o tempo dissolvesse horas
e voltasse às margens do que fui
não sei o que querer
Sonhar viver de volta...

Talvez me "ver" criança
pelos olhos de meu pai,
que viria do abismo do infinito
me abraçar de novo... 

Talvez conversasse com as estrelas,
que brilhariam  pelas palavras poéticas
do meu Adonis a mostrar-me
telas de Van Gogh... 

Talvez me lambuzasse
 de açúcar roubado
às prateleiras de vovó...
E fingisse nada sei!

Talvez quisesse novamente
 um beijo inesquecível
no fundo do quintal. 
Brincadeiras de crianças...

Talvez um vestido de noiva,
uma emoção mais forte
quando olhei os pezinhos de bebês
logo ao dar-lhes a luz...

Tanto a escolher! 
Olho-me no espelho
Gosto do que vejo: Um Retrato
 Outonal repleto de vivências!

Liz Rabello

quarta-feira, 26 de março de 2014



NADA MAIS


Quero ao seu lado estar
Atrás de você
Em sua frente
Na fina linha da vida
De ponta cabeça
Bêbada equilibrista
Razão estéril
Só amor e coração
Só desejo e paixão
Só respeito e perdição
Fidelidade e ilusão
Amor amor amor
E nada mais!



Liz Rabello


EU TE PROMETO

Um banho de mar
a sabedoria das águas 
que sempre vão e voltam
que nos remetem ao infinito
à eternidade de revoltas
à passividade da calmaria
à enganosa corrente que nos liberta
de toda escravidão e covardia!

Eu te prometo
Um banho de piscina
na beleza e calma
e paz do meu gramado,
aqui na solidão do paraíso
onde só impera 
a energia positiva
dos cantos de bem te vis
dos perfumes de jasmins!

Eu te prometo
um banho de chuveiro
E toda paz do pós amor
O relaxamento do teu corpo
Saciado de prazer do meu prazer
O perfume de erva doce
Aconchego de lençóis
Canção de paz pra se perder!

Eu te prometo e tu não vais precisar pedir!

Liz Rabello





EM TUAS MÃOS

Em tuas mãos deposito minha essência
Em minhas, quero só teu coração
Dele vou cuidar como se fora eu
Por inteira, em teu ser dentro de ti, estar!

Em tuas mãos coloco a luz do sol
Em minhas, quero só reflexo da luz
Nela vou brilhar multicores
A iluminar os dias teus

Em tuas mãos a água benta do orvalho
Em minhas, a escorrer a lentidão 
Da linda madrugada que se esvai
Do sopro vou cuidar em solidão

Em tuas mãos pulsa meu doce coração
Em minhas, quero a ternura do teu ser
Das asas que esvoaçam a bailar
A fuga do teu vôo ao entardecer!

Liz Rabello

terça-feira, 25 de março de 2014



SABEDORIA DO OUTONO
A vida é uma escada gigantesca, cujos degraus alçados jamais será possível descer! Podemos subi-los um a um, bem devagar, sem se cansar! Ou depressa demais e exausta ficar... Nesta subida, podemos saborear as paisagens, aprender com os rouxinóis, bem te vis e andorinhas o canto no silêncio, ou podemos subir ouvindo o som da moto serra, cortando árvores para alimentar o pó da vida. Neste galgar degraus podemos auxiliar os mais fracos, dar as mãos aos mais velhinhos, pegar no colo os pequeninos... Saborear as belezas de compartilhar a vida, ou egoisticamente subir sem olhar para os lados, nem para frente, nem atrás, pisando e puxando tapetes e quem cair... tanto faz! A cada degrau conquistado, sentimos que a escolha é nossa, que quanto mais semeamos na primavera, mais frutas no outono iremos colher, mais massas e maçãs vamos oferecer! Mais perfumes o olfato irá se enriquecer! Podemos correr da tempestade, ou permanecer quietinha no degrau, a espera do sol que virá e com ele o arco íris a brilhar! Aproveitar a estiagem para novamente ver o pôr do sol, as primeiras estrelas, e a lua surgir iluminando com seu clarão os degraus a subir! Podemos aguçar a visão para além do horizonte, o futuro por vir, alimentar a razão de sentimentos e sonhos, desejos de criação de um mundo melhor. Ou podemos simplesmente fechar os olhos e nada ver além do próximo degrau que tentamos subir! Só sei que a escada é íngreme, de difícil acesso! Só sei que quanto mais alto estiver, mais perto dos céus vou estar! E mais perto da morte, nosso fim inevitável ali encontrar. E quando, enfim, o último degrau restar e no topo mais alto nossa raiz fincar, sei que vou descobrir porque foi tão difícil voar, embora observasse e amasse tanto as borboletas... É que na vida sou casulo. É preciso morrer para no topo chegar e voar!

SOMOS POEIRA DO VENTO!
Quando eu me for desta
para outra esfera
Quero ser a estrela mais bela
Lua dançante de tuas noites azuis!
Ondas quebrando em teus pés molhados
Um grão de areia a roçar sua face
Magia do vento a balançar cabelos
Luz do sol a perpassar folhas de alface
Olhar fiel do teu cãozinho amigo
Festim de cores de tuas flores
Gramado verde a cobrir o pasto
Frutas maduras a saciar tua fome!
Quando eu me for desta para outra esfera
Quero ver-te sorrindo como agora vejo
Lábios cantando músicas alegres
Crianças correndo pela casa toda
Memórias boas a deslizar no quarto
Outras memórias que virão depois!
Quero te ver vivendo sempre
Que a vida é para quem está aqui!
Liz Rabello

TEIA ENCANTADA

No picadeiro o palhacinho
cria uma teia encantada
Pernas de pau,
nariz redondo,
carinha pintada
Malabares desencontrados
Quando fogo e bolas desabam pelo chão
E gargalhadas mil fluem da multidão!


Liz Rabello


DEVOLVER À NATUREZA  SUAS VITÓRIAS

Olhar o rio
Água correndo leve
Solta, imponente!
Translúcida manhã
Primaveril

Olhar Vitórias régias
Rainhas da beleza
Rosa escarlate
Roubar suas riquezas
Pra  tua mesa ornamentar!

Olhar o céu
Anil azul
Nuvens bailando
Roubar o vento
Pra teus cabelos acariciar!

Olhar a planície
Esperanças vivas
Luzes e cores
Roubar o verde
Pra teus olhos enfeitar!
  
Apenas Olhar
Desejar e agir: Devolver
Ternuras e beijos
À mãe natureza
Suas vitórias e riquezas!

(Liz Rabello - In Mil Pedaços, Editora Beco dos Poetas, 2012 - SP)

segunda-feira, 24 de março de 2014


PERDIDA NO VAZIO DAS HORAS... RASGO FOTOS MINHAS...

 QUEIMO FANTASIAS... CHORO A SOLIDÃO!

Perdida no vazio das horas
Angústia de quem ama em vão
Cristais de sangue estilhaçados

rosas murchas em solidão
Meu coração se fez em mil pedaços

E em cada corte se transmuta inteiro
porque você rasga os nós dos laços
costura estrelas, brilhas nos espaços!

Liz Rabello


HÁ MALHAS QUE NOS UNEM... OUTRAS, SIMPLESMENTE, NOS PRENDEM!


"Tudo que amo, deixo livre!
 Sem malhas, sem amarras
Sem grilhões, sem anéis
Livres para voar e voltar ou não!

Livres para seguir seu próprio rumo ou canção!" 



Liz Rabello







sexta-feira, 21 de março de 2014


SILÊNCIOS

Silêncios são palavras
Dizem tudo
Dizem nada
Nos vazios estão desejos
Loucuras impensáveis
Insatisfações
Desistências
Feridas
Cicatrizes...

Vem, volta... Amor!
Diz qualquer coisa
Que eu te sinta!

(Liz Rabello / 2012)

quinta-feira, 20 de março de 2014


QUERO O NOVO!

 “Aceitar a mudança é fundamental.
 Sem ela, a gente não cresce,
 fica estagnada no mesmo local.
 Fica rodando em círculos
Fernão Capelo Gaivota sabia disto e alçou voo alto,
em busca do infinito.
Não era águia, simplesmente uma gaivota,
 de voo raso rasteiro, de orla de praia.
 Mas para imitá-lo, primeiro é preciso rasgar o medo,
 ser gigante mesmo não passando de anãzinha.
 É necessário o sonho, sem medidas, sem limites!
Eu não tenho receio do desconhecido.
 Muito mais medo me apetece a mesmice, a rotina.
Quero eu viver assim, a vida toda que ainda me resta?

 Não... Quero o novo!”

Liz Rabello (2012)

quarta-feira, 19 de março de 2014


"Dentro da tela, um presente embrulhado, lindo pacote colorido de luz amarela, paisagens brilhando, luzindo... Cores fustigadas de amanhecer... Coração pulsante, meu ser inteira naquele gesto sutil de amor, de carinho, gratidão pela vida, que tenho nas mãos!"

(Liz Rabello, in FLIP PARATY - Feira Literária)


SOB O VÉU DA CORTINA

Nesta rua virtual
Os caminhos se cruzam
Palavras se trocam
Fotos se mostram
Corações disparam
Beijos jogados ao vento
Juras de amor eterno
De amor loucura
De amor delírio
 Insanidades!

Telinha embaçada...
Horas raiam na luz contínua
Brilha novo caminho
Passos na escada
Rastros na esquina
Folhas amassadas
Flores estilhaçadas...

Caminhos...
A gente se encontra,
A gente se perde...
Os caminhos continuam...

Liz Rabello in POR DETRÁS DA CORTINA,  Beco dos Poetas, 2012

terça-feira, 18 de março de 2014


ENGOLINDO PALAVRAS

Vou cuspir em versos palavras que engoli
Desejos reprimidos que escondi
Frases feitas que roubei
Cenas da vida que inventei
Porque não as vivi!

Vou empanar em versos
Sonhos que fiz reais
Mistérios que desvendei
Em noites mal dormidas
Com corações que troquei!

Vou engolir em versos
O que não posso ter
O que quero e não vou esquecer
O que reclamo e não vou tecer
O que busco e jamais encontrei!

(Liz Rabello / 2012)

Teu amor é pra mim
como o ar que respiro
Inalo, devagar, deixo fluir
E não prescindo...

É como o vento
Que despenteia meus cabelos
Sopra beijos silenciosos
Aos meus ouvidos atentos!

É como o sol
Que me aquece as entranhas
Quando penso em tuas mãos
A simplesmente me tocar!

É como as estrelas
Cuja luz cintila
E lindamente brilha
A iluminar meu verde olhar!

Teu amor é para mim
O TUDO ou o NADA!
Na imensidão do infinito...
Sem ti... Eu não existo!

Liz Rabello in MIL PEDAÇOS, Beco dos Poetas, 2012