domingo, 10 de julho de 2016

POEMAS CURTOS  E  MÍNIMOS  (SLANS)


Tece com teus dedos ágeis
Linhas, nós, desenhos inimagináveis
Enquanto Deus em suas teias
Belas, imortais e tão reais
Mantém a vida que tanto cremos recriar leais

Liz Rabello


Teias multifacetadas 
Fios de sonhos 
Tecidos perdidos 
No tempo do jamais 
A morte chegou 
O relógio parou!


(Liz Rabello)


 Desate os nós de minha vida
Retire os nós de meus anseios
Cascas retorcidas de velhas memórias
Renove, oh Vida, e nos permita
Laços em “nós” de amor em nós.

Liz Rabello



AUTO SUSTENTABILIDADE

Pode o homem capinar
Pode o homem destruir
Pode o homem matar
Pode o homem incendiar
Pode o homem asfaltar

Aqui a vida morre
Acolá ela renasce
Firme forte equilibrada
Basta o homem à natureza
Deixar a sua morada!


Liz Rabello



DES (JEJUM)

Tempestade de ventos
Galhos secos tombam
Mortos carregam vestígios de vida
Embelezam árvores inteiras
Raízes se retorcem, se encaixam
Numa crescente onda de vertigem
Tesão descontrolado na paisagem
Vida multifacetada de incertezas!
O verde em volta inspira cor
Mortes e mortes se alastram
Ninhos de pássaros se escondem
É a vida querendo a vida por toda parte!

Liz Rabello


Mistério no reflexo das águas
Sol, brilho, luz que reluz!
Sombras se cruzam com mágoas
Dilaceram e desfazem em lágrimas!
Galhos retorcidos em quimeras
Imagens, mosaicos sem encaixes
Árvores que se chocam no universo
Céu azul, anil, verde musgo a tecer
Esperanças


Liz Rabello



ÁGUA, PEDRAS, FLORES E ESPINHOS

Vida a me encantar em meus caminhos
Vou indo, me enfeitando, desviando dos espinhos
Sei que fazem parte de todo livramento
Quanto mais intenso, maior vivenciamento
Quanto mais difícil, maior o crescimento!


Liz Rabello



NATUREZA EM FÚRIA

O mar avança
sobre a calçada
indefesa
diante desta magnitude
pobres pedras mansas
desaparecem
Árvores se  envergam
torturam-se entre rajadas de águas salgadas!

Ondas gigantes em ressaca
rebelam-se,
fortes,
arrancam areias
derrubam muros
descortinam fumaças de águas
e sobre a rodovia
se dilaceram!


Liz Rabello (Foto de Sidney Santos)



CHUVA DE SAUDADES

Nem o mal de Alzheimer
Consegue apagar tudo da memória
Por vezes nos remete a
Momentos cristalizados
Mesmo que a foto se rasgue,
Que o tempo umedeça as cores
E as transforme em cinza água,
Ainda assim seremos nós, por lá,
Fazendo chover muitas saudades.


Liz Rabello



Lama de Mariana chegando no mar, 
vida que se nega ao encontro do mal,
sangue que se quebra na cortina de sal.

Liz Rabello




MASTIGANDO DOR

Lama tóxica
Lama barrenta
Caudalosa lama
Que invade casas, quintais, pastos
Identidades, passado,
Trabalho,  cultura perdida
Matas, córregos, rios, mar adentro
Pescadores sem ganha pão
Índios dançam tristeza sem fim
Ondas gigantes em tubos de esgoto
Surfistas choram na areia maldita
Peixes agonizam a sua passagem
Tartarugas perdem habitat
Desovas prematuras não as deixam vingar
Transformando belezas exóticas
Em morte visceral
Enlameando vidas
Matando tudo o que é vida
Deixando sede em tudo que é lugar!


Liz Rabello



GRITOS

Sedento
Cedendo
Cedendo
Sigo em frente
Até a morte em sede


Liz Rabello



APÓLOGO AO NOSSO PLANETA! 

Há um futuro 
Além do tempo
Lilás azul verde esperança! 
Só consegue vê-lo quem se sente
num universo a desvendar
dentro do relógio do tempo
abrindo folhas do passado 
lendo histórias do presente
medindo forças com sonhos ausentes 
fazer valer a pena o tempo atuante! 
Costurando silêncios noturnos 
Idealizando ecos 
reflexos de espelho
caminhando para um futuro 
Imaginário
que só o Coração consegue captar!

Liz Rabello 

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