quarta-feira, 2 de setembro de 2015


CORDEL PARA UMA LATA DE SARDINHA
Desde criança me lembro
Desta expressão engraçada
Nunca entre em lugar apertado
À sua mente já vem bem lembrado
Que lugar de sardinha engasgada
É somente na lata esmagada.

Se quiser viver a experiência
Pegue um trem às seis da tarde
Tente descer na estação de Pirituba
Se pra Franco da Rocha o tal quer ir
O teu corpo vai sair jogado pela porta
Sua camisa sai rasgada! Ai, coitada!

Ou então pegue metrô,
Lá pelos ares do Braz
Faça baldeação na Sé,
Fique em pé, 
Nem tente se mexer
Que não dá pé!

Se quiser sair do trem
Saia no meio do povo
Que a multidão te carregue
Feito procissão de finados
Pior que sardinha em lata
Com certeza até fede!

Fique bem calmo
Não se altere
Não se atreva a xingar
Nem por um minuto reclamar
Porque corres o risco de
Sardinha em lata virar!

Agarre-se em sua mochila
No peito bem apertada
Feito amor pouco fiel
Há olhos de Capitu
Abrindo brechas na ponte 
Do desejo a sucumbir.

O meu imposto é cobrado
Linhas de metrô são criadas
Mas eis que moro na Oeste
E nada chega por aqui
Meu destino é o ônibus
Que só sardinhas são pra mim.

De tanto pensar na sardinha
Eis que vontade me deu
De um bom patê fazer meu
E percebo que a Coqueiro
Tem só duas pequeninas
Dançando funk na latinha...

Liz Rabello

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