quinta-feira, 26 de março de 2015


 ESTA CENA ME  FEZ LEMBRAR DE MOMENTOS BONS...



MÁGICAS MÃOS

A vida nem sempre foi um mar de rosas para mim. Muito pelo contrário.  Infância repleta de Não! No entanto, guardo em minha memória um arsenal de momentos de glória. No fundo do quintal de uma casa pobre uma lata de tinta vazia e limpa. Uma fogueira, onde a água esquentava e quando morninha um banho de chuveiro de latinha, que de improviso caía sobre meus cabelos... Vestidinho engomado. Fita nos cabelos! E lá ia eu e minha irmã, as duas iguaizinhas para a tarde de cinema num domingo ensolarado!  Sentia-me linda!  


O capricho dos meus pais não parava por aí.  Pés de chuchu e hortas num cantinho. Nos fundos, uvas, caqui, goiabas nos tiravam a fome quando a natureza nos fartava com seu doce mel outonal. Doces, tortas, ensopadinhos de chuchu deliciavam nossa mesa.  Nunca passei fome, mesmo sem dinheiro.  Nunca saí de casa mal arrumada, mesmo sem ter como conseguir valores para comprar aquilo que a sociedade capitalista já começava a oferecer. Minha mãe costurava... Fazia vestidos caipira para eu dançar na festa junina tirando a cortina e depois mudava para almofadas. Era o mesmo tecido indo e vindo em suas mágicas mãos. 

Ríamos às gargalhadas dos elogios ao meu lindo vestido na dança caipira do colégio.  Conseguíamos nos divertir com nosso modo de viver alheio à dor da ausência. Para nós o que tinha valor era o fato de existirmos.



Liz Rabello

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